Rodrigo Duarte
RONALDINHO GAÚCHO É SÓ A PONTA DO ICEBERG

Poucos sabem mas, além de Mestre e Doutor pela Universidade Federal do Paraná, Sergio Moro, já Juiz Federal,  especializou-se no combate a crimes financeiros na "Harvard Law School", Estados Unidos. 
Em solo americano, participou de estudos e treinamentos avançados promovidos pelo Departamento de Estado Americano, comprometendo-se com o combate ao crime de "lavagem de dinheiro".
De volta ao Brasil, atuou grandes casos ("Escândalo do Banestado" e  "Operação Farol da Colina"). Durante o julgamento do "Mensalão" auxiliou a Ministra Rosa Weber, recém chegada ao STF, vinda da Justiça do Trabalho. A carreira do então Magistrado chegou ao ápice, todavia, com a "Operação Lava-Jato", que comandou entre 2014 e 2018.
Como Ministro da Justiça, conseguiu influenciar Bolsonaro a aproximar-se do governo americano, e tornar-se permeável à alta governança norte-americana.
Uma vez como Ministro da Justiça, tem se empenhado em formar junto ao Governo do Paraguai - com o aval de Bolsonaro e do Governo Americano -  uma aliança  técnica e estratégica de combate ao terrorismo internacional, ao tráfico internacional de drogas e armas e, obviamente, à lavagem de dinheiro. 
Desde o "onze de setembro" essa é uma obsessão da política externa americana, hoje possível de ser atendida.
  Assim, com Bolsonaro na Presidência e Moro no Ministério da Justiça, o Governo Paraguaio tem reformado sua legislação tributária e penal, tem modificado seus parâmetros de governança, além de adotar estratégias decisivas, visando o cerco ao terrorismo, o tráfico e a lavagem de capitais internacionais. 
Após a ascensão de Bolsonaro/Moro, o Parlamento Paraguaio criou, no país vizinho, leis inspiradas nas brasileiras e órgãos de controle financeiro, elevando à "Subsecretaria de Tributação" deles ao mesmo patamar da nossa Receita Federal e o no nosso (extinto) COAF. 
É dentro desse clima de combate feroz à lavagem internacional de dinheiro que o ex-jogadores Ronaldinho Gaúcho e Assis, flagrados portando passaportes paraguaios falsos, podem ter feito a "pior jogada" de suas vidas...
A Revista Eletrônica "Crusoé", referência em jornalismo investigativo, em sua edição de 13/03/20, aponta que o Ministério Público Paraguaio enxerga no episódio uma verdadeira "ponta do iceberg". Por trás dos ex-atletas haveria um arraigado esquema falsificação de identidades e passaportes, alimentando os conhecidos esquemas de lavagem de dinheiro em solo paraguaio.   
E "abaixo da superfície", estariam uma multimilionária socialite paraguaia (Dalía Lopez Troche, já investigada pelo Paraguai e pelo Governo Americano por lavagem internacional de dinheiro), dois empresários brasileiros que, segundo a publicação, estariam enrolados com a Justiça Brasileira (Sérgio Luiz Balotti e  Wilmondes Souza Lira, ambos investigados pela "Lava-Jato"). 
E, segundo a "Subsecretaria de Tributação" do país, os passaporte falsos dados a Assis e Ronaldinho lhes facilitaria movimentar cerca de 400 milhões de dólares de terceiros, no país...  
Nesse "iceberg" haveria, ainda, a participação do Senador Eduardo Gomes, hoje líder do Governo no Senado Federal e intimamente ligado os empresários investigados...
Ao que parece, Assis e Ronaldinho meteram-se numa gigantesca "fria"

Rodrigo Duarte, Advogado e Iconoclasta
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