Idgar Dias Júnior
Nós e a OCDE

Olá, leitor! Tudo bem?
 

 • Hoje, quarta-feira, dia 24 de de março de 2021, é celebrado o ‘Dia Mundial de Combate à Tuberculose’.

 • Também hoje se comemora o ‘Dia Internacional para o Direito à Verdade sobre Graves Violações dos Direitos Humanos e pela Dignidade das Vítimas’.

 • A data também é de celebração do ‘Dia da União dos Povos Latino-Americanos’.


Nós e a OCDE

Lembra-se, caro leitor, da celeuma criada por Jair Bolsonaro a respeito da entrada do Brasil na OCDE? E lembra-se da ‘pernada’ que levamos de Donald Trump, que prestigiou outros países em detrimento do ‘nosso Brasil’?
Pois é, diplomacia internacional não é coisa para aprendizes, para iniciantes, para amadores do tipo de um Ernesto Araújo da vida – agora muito mais sabemos em razão de exemplos claríssimos.
E se antes estávamos longe de alcançar tal meta, agora as coisas pioraram substancialmente, do que dá provas uma manifestação do procurador federal Deltan Dallagnol, que dispensa apresentações: “Fim da Lava Jato, Lei de Abuso de Autoridade e outros retrocessos no combate à corrupção no Brasil levaram o grupo de trabalho anticorrupção da OCDE a criar subgrupo de monitoramento no País, com Itália, EUA e Noruega. Algo raríssimo contra algo gravíssimo”.

A carta tardia do PIB
Entenderam que não adianta ter dinheiro para pagar UTI aérea para Miami?

Quer dizer que foi preciso um ano de pandemia, quase 300 mil cadáveres, o colapso dos hospitais e um tombo colossal na economia para que parte expressiva do PIB se manifestasse publicamente sobre a catástrofe humanitária que nos põe de joelhos? Tirante honrosas exceções que assinam a carta divulgada neste fim de semana, a maioria permanecera em indiferente pachorra.
São mais de 500 assinaturas; alguns sobrenomes reluzentes, de banqueiros, empresários, ex-ministros, ex-dirigentes do Banco Central e economistas que, até outro dia, clamavam pela urgência das reformas, mas não mostravam a mesma preocupação com a premência de salvar vidas.
Muitos até devem ter achado, como disse o famoso animador de auditório, que Bolsonaro teria uma "chance de ouro de ressignificar a política", seja qual for o sentido disso no dialeto da Faria Lima. Agora, com as UTIs dos hospitais privados lotadas, parecem ter despertado do modo "repouso em berço esplêndido".
O que mudou? Entenderam que não adianta ter dinheiro para pagar UTI aérea para Miami? Que não somos bem-vindos em nenhum país porque cevamos um criadouro de variantes agressivas do vírus? Que estamos todos na mesma tormenta, embora milhões a enfrentem agarrados a um pedaço de pau e pouquíssimos em um transatlântico? Simplesmente perceberam que Paulo Guedes não tem força para demolir o Estado, como esperavam ? Ou a soma disso tudo?
Com tal carta, nossa elite mostra como é elástica sua tolerância diante de uma tragédia que atinge principalmente os mais pobres. Ao ler o documento, procurei menção a, quem sabe, aumento de imposto sobre suas imensas fortunas. Nenhum palavra. Apesar de tardia, a carta pode até ajudar a controlar rompantes autoritários de Bolsonaro. Daí a conter o genocídio que nos abate há longa distância. Para isso, é preciso combinar com os mercenários e franco atiradores do Centrão. E enquanto você lê esse texto, mais um coração brasileiro parou de bater.
Artigo da jornalista e escritora Cristina Serra publicado na Folha de São Paulo.

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