Rodrigo Duarte
MORO APENAS COMEÇOU

O Ex-Juiz caminha a passos firmes em direção à Presidência da República
Muitos assuntos mereceriam a atenção dessa coluna essa semana; por exemplo: 1) os pedidos de impeachment contra Bolsonaro que se avolumam na mesa do Presidente da Câmara; 2) o fisiologismo explícito na aproximação do Presidente com o Centrão; 3) as articulações de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre para reduzir o poder presidencial; 4) a  instauração de inquérito determinada Min. Celso de Melo, do STF, para a apuração de crimes contra a segurança nacional encabeçados pelo Presidente; 5) a proibição baixada por outro Ministro do STF, Alexandre de Moraes, à nomeação do Delegado Alexandre Ramagem para a chefia da Polícia Federal; 6) os avanços das investigações contra o Filho 01 e o Filho 03...
Parece não haver dúvida, entretanto, que o pior dos imbróglios recentemente protagonizados por Bolsonaro é, mesmo, a guerra desencadeada por seu ex-Ministro da Justiça, o ex-Juiz Federal Sérgio Moro.
No último sábado (02/05/2020), a pretexto de não admitir ser tachado de "mentiroso" por Bolsonaro, Moro voltou à carga. Em depoimento que durou mais de 09 horas, confirmou ao Delegado de Polícia Federal destacado para ouvi-lo tudo o que já dissera na coletiva de imprensa que marcou sua saída do Ministério da Justiça.  
À "Revista Veja" Moro destacou haver fornecido provas detalhadas, baseadas em prints de conversas e áudios comprometedores, visando reforçar as acusações de que o Presidente não apenas não teria compromisso algum com o combate à corrupção, como faria de tudo para barrar as investigações contra seus filhos. 
A pior das acusações, entretanto, refere-se à tentativa de "aparelhar" a Polícia Federal, isto é, torna-la algo como a "polícia do presidente", desvirtuando suas funções de Estado. 
O assunto mobiliza a República. O Inquérito em questão compete ao Ministro Celso de Mello, crítico ferrenho do estilo "bolsonariano" de governar. Para Celso de Mello - que se aposentará em menos de 06 meses - é inadmissível que um Presidente da República se preste à afronta direta aos demais Poderes, estabelecendo um clima de conflagração constante.
Moro, portanto, haverá de permanecer na cena política ainda por muito tempo. E, como não há mais possibilidade de retornar à Magistratura (não se imagina que volte a prestar concurso para Juiz Federal) ou, tampouco, sonhar com uma vaga no Supremo Tribunal Federal (como lhe fora prometida por Bolsonaro), é muito provável que, a esta altura, ambicione a própria Presidência da República, em 2022.
Quanto aos temas lembrados no início desta coluna, olhos atentos perceberão que, se todos eles levam ao enfraquecimento de Bolsonaro, ao mesmo tempo permitirão o gradual fortalecimento de Moro.
É como se todos os caminhos levassem à Roma.. ou a Moro.
Rodrigo Duarte, Advogado e Iconoclasta““e-mail: [email protected]