No Bico do Corvo
E viva São João!

Ai que saudade das festinhas nos colégios, a dança da quadrilha, pipoca, pinhão, milho, canjica, quentão com gemada, cantoria e fogueira, para se aquecer nas noites frias de junho. Bom, a saudade pega de todos os lados, por causa da pandemia e até na falta de um ar mais gelado, o que não apareceu ainda em nosso inferno primaveril. E hoje, ponto facultativo, o negócio é trabalhar! 

Ao contrário
Prezado senhor Corvo, não entendo certas coisas. Não seria o caso decretar feriado e deixar as pessoas trancadas em casa, protegendo-as do vírus? Mas em Foz, parece que tudo acontece ao avesso; decretam ponto facultativo e o povo vai parar o comércio, espalhar covid-19! Outra coisa, porque o transporte público está tão demorado e lotado? É porque tem menos ônibus, mas não seria o caso colocar mais, assim as pessoas se locomovem mais confortavelmente, sem precisar cheirar o sovaco de alguém? Tudo bem que o povo precisa trabalhar, produzir, pagar as contas, mas no fim, isso está saindo mais caro. Penso que o prefeito deveria trancar tudo de novo por um prazo de 15 dias. Pode ser, assim, a cidade afrouxe a tal curva epidemiológica e as pessoas sofram menos. 
Martha . K. N Loureiro 

O Corvo responde: prezada professora, do jeito que a coisa vai, é quase certo que teremos outro torniquete confinador. A prefeitura, provavelmente só não decretou isso, por causa da chiadeira dos setores produtivos. Olha aí o problemão: UTI quase lotadas, doentes vindos de outras cidades, óbitos aumentando, povo da saúde correndo risco; bairros que viraram campos de concentração. Se não endurecerem na pegada, choraremos uma tragédia

Dia e noite
Corvo, na minha opinião está tudo errado. A prefeitura deveria regular melhor as atividades comerciais, abrindo as lojas 14 horas e fechando às 18. Deveria fechar os estabelecimentos não essenciais, doa onde for, com toque de recolher 20 horas. Isso, durante uns 15 dias já seria o suficiente pra colocar a cidade em ordem novamente. De que adianta manter o comércio aberto, se o movimento não paga os custos? Abri minha lojinha e levei na cabeça. Vendi R$ 28,00 em três dias. Se é ruim para o meu negócio familiar, o que dizer do comércio em geral. O que fiquei sabendo, é que as pessoas passam nas lojas, entram, olham e não compram nada. Que fenômeno é esse? Fechar 22 horas? Isso não adianta nada. Tem que fechar em boa parte do dia.  
Rubens Pessulato R. Franco

O Corvo responde: prezado, se permitirem a abertura do comércio em apenas uma jornada, com certeza haverá aglomerações. Mas a verdade é que a transmissão é comunitária é feroz; não há mais controle sobre o covid-19 e isso, constatamos pelos números divulgados todos os dias. É triste, lamentável, preocupante. Por enquanto, os óbitos são reduzidos, graças à eficiência dos profissionais da saúde, que estão na linha de frente, mas eles estão sendo contaminados e boa parte foi para o estaleiro. Chegará o momento, que pode não haver mais médicos e enfermeiros para atender a população e como é que isso será? O Corvo acredita que se a população tomasse a iniciativa de se cuidar, seria possível manter o setor produtivo e comercial aberto, mas o que se vê, é uma falta de cuidado danada. Tá difícil, mas não é por isso que vamos deixar de manter a fé e de cuidar de quem está próximo.   

Sustos
Os números do covid-19 podem arrepiar nos próximos dias, porque há mais de 600 casos em investigação. Até o momento, quase 4.400 testes e 3.200 foram negativos. Cerca de 500 foram confirmados. Logo, se de um dia para o outro, surgirem divulgações com números muito acima do normal, é porque incluíram os resultados das testagens.

Nem de brincadeira
A empregada do Corvo, que ultimamente só limpa o lado de fora da casa, disse que a molecada da vila anda aplicando trotes na Defesa Civil. Os pais descobriram e endureceram no castigo, do tipo desligando televisão e sequestrando o celular. Pais e mães atentos, ajudam muito ao ensinarem os filhos, que trote em órgãos de atendimento a urgências, não são para brincadeira. No entanto, há uma realidade: filhos que imitam o que os pais fazem. É lamentável que existam pessoas fazendo um servicinho porco desses. 

Mapa de calor
A prefeitura divulgou um mapa onde aparecem as áreas mais afetadas, por meio de manchas em escala de cores. A região note parece em vermelho, e, em quase todas as áreas da cidade, há manchas alaranjadas, o que é muito ruim. Vermelho significa incidência alta de covid-19 e laranja, média-alta. Não existe região “azul” e nem “verde-claro”. Provavelmente toda a região norte entre em bloqueio, como é o caso agora do bairro Cidade Nova.   

Objeto não identificado 
Os corvinhos estavam brincando no jardim, subindo em árvore, atirando pedra no telhado e eis que entram gritando firmando que havia um OVNI em cima de casa. Este Corvo respirou aliviado, crendo que finalmente alguém de outro planeta resolveu aparecer para nos ajudar, ou abduzir os chatos de plantão. Nada, mas havia sim um objeto pairando, silenciosamente, branco e preto ameaçando cair a qualquer momento. Era um balão junino, enorme, com a tocha apagada. Claro, as crianças nunca viram uma coisa daquelas, logo, acreditaram se coisa de outro mundo. 

Ócio
Deve ser normal as pessoas pirarem e partirem para ofícios sinistros, como é a feitura de balão, coisa proibida e perigosa. Mas em casa, a imaginação fertiliza e para a cabeça de muitos, o ócio é ofício do capeta. Vai ler um livro, roçar o lote, assistir televisão, arranje algo para fazer da vida, que não seja colocar a vida dos outros em risco. 

Mendicância 
Os setores sociais de Foz devem enfrentar uma situação difícil. Aumentou e muito o número de pedintes e pessoas vulneráveis nas ruas. Fui comprar um lanchinho para as crianças no Mac e lá havia três pessoas estendendo a mão, pedindo para comprar algo, ou pelo menos algum dinheiro. É imensamente constrangedor passar por isso, até porque ou vamos com o dinheiro contato, ou com o cartão de débito. Pior, os pedintes estavam sem máscaras e praticamente entram no carro da gente, não respeitam o distanciamento. Como é que fazemos, porque é triste pedir para que se afastem? As crianças assistem a isso e ficam apavoradas, porque não assimilam o que está ocorrendo. 
M.V.L.P (A leitora pediu para não ter o nome revelado). 

O Corvo responde: este colunista enfrentou situações similares em vários locais da cidade. É difícil enfrentar uma situação dessas e é por isso, que a recomendação é não se expor; não por causa dos necessitados, pelo contrário, devemos ajudá-los de alguma maneira, mas sim pelo contágio. Agora é permitido levar as crianças, mas devemos lembrar que também são vulneráveis ao covid-19. A vida não está nada fácil, imagina para os necessitados? 

Capacidade
A ocupação de leitos das UTIs para o atendimento ao covid-19 deveria servir como uma sirene estridente e comover quem não se cuida, causando aglomerações, juntando gente para beber e fumar narguilé; fazer festinhas em chácaras e sair por aí, não ligando para o que está acontecendo. Chega de ignorância. Está na hora de se entrevar e tratar de não colapsar o sistema de Saúde.

Banco Mundial 
O mundo se ardendo em doenças e o seo Weintraub forçando a barra para arranjar uma boquinha no Banco Mundial? Isso sim é uma calamidade! O que esse cara acha que vai fazer lá? Até o povo da ala econômica do governo sabe que acomodar Abraham Weintraub lá, será um desastre para o Brasil, porque o homem não respeita ninguém.  

Se livrou
“Não vejo a hora de sair do Brasil”, disse o ex-ministro da Educação, assim que soube da exoneração. Ele sabe que corre o risco de ganhar uma pulseira de aço, pelas barbaridades injuriosas que cometeu e é aí que a gente fica pensando; cadê o amor pelo país? Parodiando um lema do passado, quem o ama, não deixa. No fim, permitir que o homem escapasse com passaporte governamental, foi um favor que o Bolsonaro fez ao seu governo e ao país.  

Revoada
Corvo, pelo que estou entendendo, começou a bateção de asas dos políticos. Lá na vila as pessoas estão se queixando de serem abordadas por candidatos. Acredita que eles ainda insistem em cumprimentar os eleitores? Por favor né Corvo? Que passem longe de mim, senão vão ouvir grosserias. 
Paulo G. V. Barbosa

O Corvo responde: as próximas eleições serão algo bem diferente e claro, a abordagem será via redes sociais, porque até os políticos estão enfrentando dificuldades em sair por aí, com o povo enclausurado, ou se tratando da doença. No lugar de gastar solas de sapatos, terão que arranjar dinheiro para alugar os robôs da internet, cada vez mais caros e ineficientes, porque mensagem remota, as pessoas deletam assim que chaga. Será complicado para os candidatos à prefeito e pior ainda para quem arriscar disputa de vereador.  

Fake
Corvo, francamente, quem produz fake news, sabe que terá leitura, porque muita gente gosta de fuxico e notícias incomuns. É triste, mas é verdade. O problema, portanto, não é só quem produz esses lixos nas redes sociais, mas quem acredita em conteúdo assim. O que acontece, é o resultado na falta de investimentos em formação do indivíduo. 
Geraldo Soloza M. Vieira

O Corvo responde: prezado, é por aí, mas não devemos subestimar a capacidade de avaliação da população ou de quem navega pelas redes sociais. Abusaram tanto das mentiras, dos exageros, das maldades, que as pessoas começaram a depurar melhor o que é postado. Por isso, denunciar fake news, é importante. O problema nem é a notícia falsa, mas o “noticiador fake”, aquele que não possui responsabilidade e caráter, para lidar com a notícia.