Idgar Dias Júnior
Idgar Dias Júnior
O naufrágio

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, terça-feira, dia 08 de dezembro de 2020, é celebrado o ‘Dia da Família’;
• Também hoje se comemora o ‘Dia da Justiça’;
• A data também é de celebração do ‘Dia do Ciclista’; e
• Por fim, hoje é o ‘Dia Mundial da Imaculada Conceição’.

O naufrágio
Diante da comédia de circo montada em torno da “reeleição” do senador Davi Alcolumbre e do deputado Rodrigo Maia para os cargos que ocupam como presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, vale a pena sair um pouco da neura cultivada pelo noticiário político e pelas mesas-redondas na televisão e fazer algumas perguntas bem fáceis de responder. A primeira é: “Existe uma única pessoa, no Brasil e no mundo, que esteja pedindo a reeleição de qualquer dos dois – salvo eles próprios, suas famílias e seus amigos?”
A resposta – não, não há ninguém pedindo nada – já resolve 90% da questão, não é mesmo? Se toda essa novela de terceira categoria se resume a atender aos interesses pessoais dos envolvidos, não faz o menor nexo violar abertamente a Constituição, em parceria com o STF, só para deixar contentes o senador e o deputado.
As outras perguntas possíveis são igualmente elementares. O que a população brasileira teria a ganhar na prática com a permanência, até o momento ilegal, de Alcolumbre e de Maia nos seus empregos atuais? Nada, outra vez. Qual a grande emergência nacional que poderia recomendar uma mudança na Constituição para legalizar os desejos desses dois cidadãos? Nenhuma. Enfim: qual seria o motivo de interesse público, mesmo teórico, para justificar essa “reeleição”? Nenhum. Conclusão: a história toda deveria ser encaminhada para o arquivo morto, e não sair mais de lá. Só que não: os presidentes atuais do Senado e Câmara continuam sendo tratados pela mídia, pelo mundo político e pelas elites como dois imensos estadistas empenhados no melhor desfecho de uma grave questão nacional. Não há questão nacional nenhuma. Há apenas uma tentativa de atender a interesses individuais.
Nenhum dos dois, pelo que está escrito na lei, tem o direito de continuar no cargo. Alcolumbre, pelo menos, teve a sinceridade de admitir que está interessado no que é melhor para ele. Maia tem feito de conta que é apenas um patriota à espera de decisões superiores; tudo o que deseja é “cumprir a lei”, na condição de defensor número um do “estado de direito” que atribui a si mesmo. Assim sendo, o presidente do Senado pediu que o STF tomasse essa extraordinária decisão que frequentou as manchetes nos últimos dias: declarar que um artigo da Constituição é inconstitucional. O artigo em causa proíbe a reeleição dos presidentes das duas Casas do Congresso, nas condições em que estão os mandatos de ambos.
Mesmo deixando de lado a questão central – a absoluta falta de sentido da reeleição –, deveria estar claro, de qualquer forma, que uma mudança na Constituição só poderia ser feita por emenda constitucional, e só os 513 deputados federais e 81 senadores têm o direito de aprovar emendas constitucionais. Mas não é desse jeito que as coisas funcionam no Brasil de hoje. O Poder Legislativo aceita, com perfeita passividade, a sua submissão ao Poder Judiciário; em consequência, faz o que o STF manda.
Os atuais presidentes do Senado e da Câmara, quando se esquece a conversa fiada, estão em busca de uma coisa só: a manutenção dos poderes, dos privilégios e da vida de sultão à custa de dinheiro público que a Constituição Cidadã lhes garante – vantagens turbinadas pelas constantes “releituras” da lei que os membros do Congresso vivem fazendo em seu próprio favor. O STF, naturalmente, não vai decretar a reeleição dos dois – ou pelo menos não se sugeriu essa saída até agora. Mas é um atestado do naufrágio do Congresso brasileiro que seus comandantes peçam que a lei seja violada – e entreguem o futuro do Poder Legislativo a onze cidadãos que nunca tiveram um voto na vida.
Artigo do jornalista José Roberto Guzzo, publicado no jornal  ‘O Estado de São Paulo’ em 06.12.2020.

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!
 

A ocasião faz o ladrão

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, segunda-feira, dia 07 de dezembro de 2020, é celebrado o ‘Dia Internacional da Aviação Civil’;
• Também hoje se comemora o ‘Dia Nacional da Assistência Social’;
• A data também é de celebração do ‘Dia Nacional da Silvicultura’: é a ciência dedicada ao estudo dos métodos naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais com vistas a satisfazer as necessidades do mercado e, ao mesmo tempo, é aplicação desse estudo para a manutenção, o aproveitamento e o uso racional das florestas.

A ocasião faz o ladrão
Verdade inarredável, tá certo? Mas a ocasião também é capaz de forjar o caráter da pessoa, tá certo? Dois episódios recentes ilustram à perfeição a tese levantada. Em um deles temos como protagonista o ex-juiz federal da Lava Jato e ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que como sabemos sentenciou Lula à cana dura. Noutro temos o advogado e ‘líder do PSDB’ no STF, Gilmar Mendes, que é o relator de uma ação na qual o ilustre advogado da Suprema Corte votou por rasgar a Constituição Federal para assim permitir a reeleição dos atuais presidentes da Câmara Federal, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A ocasião faz o ladrão (2)
Sérgio Moro arrumou emprego na iniciativa privada. Pronto, o mundo caiu. E a OAB foi pra cima, como se Moro tivesse cometido um delito. O comentarista político Reinaldo Azevedo (que é amigão do peito de Gilmar Mendes e talvez por isso também desafeto de Sergio Moro) também foi pra cima. Pois é. Há uma Ordem dos Advogados do Brasil que tem sido muito relembrada por antigos jornalistas, aquela do jurista Raimundo Faoro (talvez porque na atualidade a OAB tenha virado outra coisa, tá certo?).
E o comentarista Reinaldo Azevedo dispensa comentários, haja vista a credibilidade a cada dia mais e mais declinante...

A ocasião faz o ladrão (3)
     O senhor que aparece na foto é Antônio Carlos de Almeida Castro, ‘Kakay’ para íntimos como Aécio Neves, Paulo Maluf, Romero Jucá e José Dirceu, só gente fina. Ele é ou foi advogado de todos eles. A imagem é de 2019 e foi tirada no STF, onde gente como eu e você, caro leitor, só podemos entrar se for de terno, paletó e gravata. Só que ‘Kakay’ é amigo ‘dos homens’, entende?
Já pensou se fosse Sergio Moro na mesma cena?
Não se tem notícia alguma de qualquer manifestação da OAB a respeito. Mas há talvez explicação: tem a OAB do doutor Raimundo Faoro e tem a atual. A atual, por exemplo, não viu e não vê problemas nos encontros do advogado Gilmar Mendes com Michel Temer e Rodrigo Maia antes de decisões no TSE e no STF que tinham tudo a ver com seus presentes e futuros.

Vai vendo...
Bobagem a gente pensar que o ano de 2020 vai terminar em 31 de dezembro próximo. Como lembrou um colega de grupo do WhatsApp, vem aí o 01.13.2020..!

Para nossa reflexão
“O cansaço do dever cumprido é melhor que o descanso da omissão”.
Boa semana, leitor! Até amanhã, ok?

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Recado aos políticos!

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, sexta-feira, dia 04 de dezembro de 2020, é celebrado o ‘Dia do Orientador Educacional’;
• Também hoje se comemora o ‘Dia da Propaganda’;
• A data também é de celebração do ‘Dia do Perito Criminal’; e
• Por fim, hoje é o ‘Dia do Pedicuro’.

Recado aos políticos!
Do livro "A Arte da Entrevista", organização de Fábio Altman. Entrevistas com importantes personagens dos séculos 19 e 20:
1. Mussolini em entrevista a Emil Ludwig em 1933 (com 11 anos no poder) e no auge: "Hoje em dia a oposição é representada pelos problemas que tem que ser resolvidos, pelos problemas econômicos e morais, que sempre pedem uma solução. Isso é o suficiente para não permitir que um governante durma. Além disso, criei uma oposição dentro de mim mesmo."
2. Emil Ludwig, durante a entrevista, citando Goethe: "O caráter é moldado pelos revezes do destino."
3. Mussolini: "Devo o que sou às crises que tive que superar e às dificuldades que tive que vencer. Portanto todos devem correr riscos."
4. Mahatma Gandhi  em entrevista a H.N. Brailsford em14/04/1946, um ano e 4 meses antes da Independência da Índia: "Precisamos manter a mente aberta. Alguém que busque a verdade nunca começará qualificando as declarações de seu opositor como indignas de confiança. As dificuldades fazem o homem."
Deu na newsletter do Ex-Blog de César Maia.

Recordar é viver
Em 31 de dezembro de 2019 o dólar estava a R$ 4,03 e em maio de 2020 foi a R$ 5,93 (pico máximo por estes tempos) e agora está por volta de R$ 5,32. Em 2020 o dólar valorizou-se 47% nos seus cinco primeiros meses (janeiro a maio; agora esta valorização está em cerca de 32%).
Comentário: como enunciado ainda nesta semana pelo mestre Elio Gaspari, ‘as crises artificiais podem ser barulhentas, mas destinam-se sempre a esconder os verdadeiros problemas’.

Fala que eu te escuto
“A transição de Biden, ainda que a pandemia esteja se agravando por aqui, tem deixado claro algo que precisa ser internalizado também no Brasil. Os surtos de anomalia aguda, os gravíssimos acidentes históricos representados pela ascensão de Trump e de Bolsonaro, são parte da história. Vêm e vão. O Brasil não está destinado a perecer nas mãos da incompetência, assim como não o estavam os EUA. Tudo muda. Tudo está sempre em transição”.
Da economista brasileira Monica de Bolle, radicada nos EUA, em artigo para ‘O Estado de São Paulo’.

Olha o perigo
Marcelo Ninio informa em O Globo que a carne bovina brasileira tem a China como principal destino de exportações – mais da metade das exportações. Só que suprimos só 8% do consumo chinês.
E o nosso presidente da República, cheio de si, tem a ousadia de dizer que ‘a China precisa muito mais do Brasil que o Brasil deles’...

Covid-19
A gente não gosta de saber que há um decreto do governador do estado do Paraná para que não haja movimentação de pessoas entre as 23h e as 5h, né? É. Mas muito pior é saber - como no Rio - que o sistema de saúde está à beira do colapso!

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Gilmar toma lá, Maia dá cá

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, quinta-feira, dia 03 de dezembro de 2020, é celebrado o ‘Dia Internacional do Deficiente Físico’.
• Também hoje se comemora o ‘Dia Internacional dos Portadores de Alergia Crônica (OMS)’.

Gilmar toma lá, Maia dá cá
Reformar o STF é dos temas urgentes no projeto de recuperação da democracia brasileira, quando essa hora chegar. O exercício deveria enfrentar problemas estruturais do tribunal: a arbitrariedade e o tamanho da pauta, o voluntarismo individualista, o ilusionismo que sonega explicação sobre o que decide e não decide, a ausência de prestação de contas etc.
Parte da ingovernabilidade do STF, afinal, é da arte e engenho de seus próprios ministros. Não foi um “vírus chinês”, um hacker no Planalto ou Sara Winter e seus 300 amigos. Nem a klan presidencial pedindo seu fechamento por intervenção militar.
Reformar o STF significa, antes de qualquer coisa, proteger a instituição da intrincada teia de interesses antirrepublicanos que orbitam a relação entre comunidade jurídica e ministros. A disfuncionalidade do tribunal costuma ser funcional aos atores que dispõem de portas privilegiadas no edifício. Quem é compensado política e financeiramente por esse labirinto de Babel não será aliado de reforma que valha a pena.
Rodrigo Maia instalou dias atrás comissão para elaborar anteprojeto de lei que consolide regras do processo constitucional. A comissão é exemplo magnífico da confraria jurídica brasileira. Seu presidente é ele, sim, o indefectível Gilmar Mendes.
Dos 24 membros indicados, há 19 homens brancos e 5 mulheres brancas (80% a 20%). Há 11 de Brasília, 7 de São Paulo, 3 de Porto Alegre, 2 de Curitiba e 1 do Rio de Janeiro. Todos juristas. Cientistas sociais que mapeiam a realidade empírica desse mastodonte judicial ficaram de fora. A sociedade civil também.
Tamanha representatividade e pluralidade vieram acompanhadas por uma gota de promiscuidade. O secretário da comissão é advogado pessoal de Gilmar. Gilmar também é empresário da educação, mesmo que a Constituição lhe proíba. De sua escola de direito, a comissão tem quatro funcionários. Um deles é seu ex-sócio. (...) Sabemos que a fraternidade jurídica não pratica os valores que professa (nem declara os valores que pratica). Quem vasculha, acha. (...)
Supondo que essa tradição seja inofensiva, por que chamar justo um dos grandes artífices das patologias do STF? A contribuição de Gilmar à desinstitucionalização do STF foi radical e holística: começou pela quebra de padrões de ética e decoro judicial, passou pelo desrespeito corriqueiro a seus pares e terminou na revogação disfarçada de regras legais e regimentais.
Deve ser só coincidência, mas Rodrigo Maia se beneficiará nos próximos dias de mais uma decisão abusiva do Supremo, sob relatoria de Gilmar. Vem mais contorcionismo verbal e desfaçatez por aí. A Constituição proíbe recondução de membros das mesas do Congresso para mandato subsequente. Proíbe a reeleição de Maia e Alcolumbre.
Ministros concluirão que a Constituição não diz o que diz. Tentarão nos convencer que, num escaninho do texto a que eles têm acesso exclusivo, a Constituição quis expressar o contrário. É fraude, não argumento. (...)
Também propõem métodos adicionais para as especificidades da Constituição: buscar coerência com precedentes; dialogar com a filosofia moral e política debaixo de direitos como liberdade e dignidade; balancear direitos em colisão; estimar consequências sociais e econômicas e calibrar a decisão para minimizar eventuais danos.
Nenhum método jamais permitiu que a norma “é proibido” possa significar “está liberado”. O vale-tudo é a cara do STF, não do Estado de Direito. Quando o Congresso virar Alerj, com a ajuda do STF, o STF vai virar o quê? Um TJ-SP?
Artigo do professor de direito constitucional da USP, doutor Conrado Hübner Mendes. Deu na Folha.

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Governar para quê?

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, quarta-feira, dia 02 de dezembro de 2020, é celebrado o ‘Dia Nacional do Samba’;
• Também hoje se comemora o ‘Dia Nacional das Relações Públicas’;
• A data também é de celebração do ‘Dia Pan-Americano da Saúde’; e
• Por fim, hoje é o ‘Dia da Astronomia’.

Governar para quê?
Uma das palavras mais ouvidas no governo federal nesses últimos meses é “governabilidade”. O que seria esse bicho? Segundo nos contam, trata-se daquele balaio de decisões moralmente lamentáveis e tecnicamente ineptas que os governos, coitados, são obrigados a tomar para conseguirem governar – ou fazem essas coisas feias, mas tidas como indispensáveis, ou não governam nada (em política, argumentam os que estão mandando, a prática deliberada do erro nem sempre é uma desvantagem). O governo do presidente Jair Bolsonaro, como sabem até as crianças com dez anos de idade, decidiu tempos atrás tornar-se governável em modo extremo – está fazendo tudo o que lhe pedem, e muito do que não lhe pedem, com o elevado propósito de governar o Brasil. Está dando certo para os governantes, ao que parece. E para os governados?
A “governabilidade” pode ser uma coisa admirável na teoria política, mas na vida prática a pergunta que se tem de fazer é a seguinte: governar para quê? Se for para dar ao Brasil uma espécie de Dilma-2, o Retorno, com anos de crescimento zero que se alternam com anos de recessão, e com a população escalada para exercer a mesmíssima função, como escrava que trabalha dia e noite para sustentar a máquina estatal – bem, muito obrigado. É onde se encontra, após dois anos inteiros no comando, o governo atual: mais ou menos onde Dilma Rousseff nos deixou. O Estado continua a engolir (e a gastar) a maior fatia da renda nacional. A economia está onde estava em 2018. A alta burocracia deita e rola. O Centrão, o inimigo número 1 do erário nacional, é de novo a grande estrela do governo. As leis continuam servindo para proteger os políticos dos cidadãos, em vez de fazer o contrário. Praticamente nenhum índice de “performance”, salvo no agronegócio, saiu do lugar. O que adianta governar desse jeito?
Nesses dois anos, o governo não fechou, não de verdade, uma única empresa estatal – uma meia dúzia de subsidiárias foram vendidas por suas controladoras, e ficou nisso. De concreto, a única coisa que aconteceu foi a demissão do secretário-ministro encarregado da privatização, que nunca teve o que fazer. Não conseguiram fechar nem a empresa do “trem-bala”, um dos maiores contos do vigário do governo Dilma – o ministro dos Transportes acha que a empresa, que jamais colocou um metro de trilho no chão, é indispensável. Outra joia da coroa petista, a TV Brasil inventada por Lula, continua intacta.
Não foi cortado nenhum privilégio nas altas castas do funcionalismo. A população continua sendo extorquida pela mesma carga de impostos de sempre – 30%, ou mais, numa conta de luz, de telefone ou de farmácia. A economia permanece como uma das mais fechadas e menos capazes de competir do mundo. Na hora de fazer a indicação mais importante de seu governo, a de um novo ministro para o STF, Bolsonaro veio com o dr. Kassio, o preferido do Centrão e de um senador processado por corrupção.
O governo está no seu quarto ministro da Educação em dois anos, e não se mexeu um milímetro nos índices brasileiros na área, que continuam entre os piores do planeta; falaram o tempo todo de política, e os livros didáticos lidos nas escolas continuam insultando abertamente os militares, chamados de “torturadores”, os agricultores, acusados de viverem às custas do “trabalho escravo”, e o próprio governo eleito em 2018, que é denunciado nas aulas como fascista, racista, homofóbico, genocida e destruidor da Amazônia.
Quando lembrado de qualquer dessas coisas, Bolsonaro diz: “Então vota no Haddad”. É melhor mudar o disco. Uma hora dessas ele ainda vai ouvir: “E daí? Qual é a diferença?”
Artigo do jornalista José roberto Guzzo, publicado em sua coluna no jornal O Estado de São Paulo.

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Sorte e saúde sempre!

Fala que eu te escuto

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, terça-feira, dia 1º. de dezembro de 2020, é celebrado o ‘Dia Mundial de Combate à AIDS’;
• Também hoje se comemora o ‘Dia do Numismata’ (colecionador de moedas, medalhas e cédulas).

Fala que eu te escuto
“Não podemos continuar votando e não tendo a certeza se aquele voto foi ou não para aquela pessoa. E lembrando, o voto impresso ninguém bota a mão no papel. Fica atrás no visor, ele concorda depois de imprimido e cai dentro de uma urna. (...)
E qualquer um pode pedir recontagem naquela área. E você vai ter a comprovação do voto eletrônico com o voto eletrônico com o voto no papel. É pedir muito isso? Quem não quer entender isso, não sei o que pensa da democracia”.
Do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao sair do local de votação no Rio no último domingo (29).
Comentário: ainda bem que o Brasil não tem problema de desemprego, não tem problema com saúde pública, não tem problema de saneamento básico, não tem problema de segurança pública, não tem o menor problema com a educação, não tem problema com transporte público, a nossa moeda continua  forte frente ao dólar e, como disse o presidente, não há mais corrupção no governo! E já que todos os problemas estão resolvidos, então o presidente achou por bem resolver os problemas do TSE...

Recordar é viver
Em 20 de outubro de 2018, um sábado, o candidato Jair Bolsonaro deu entrevista na qual disse: “Um presidente não tem autoridade de fazer reforma política. Cada parlamentar vota de acordo com seu interesse. O que eu pretendo fazer, tenho conversado com o parlamento também, é você fazer uma excelente reforma política para acabar com instituto da reeleição, que no caso começa comigo, se eu for eleito”.
Como se pode observar depois de exatos dois anos, o presidente mudou de ideia e agora, como uma personagem muito conhecida da ‘Escolinha do Professor Raimundo’, a dona Bela, nosso presidente “só pensa naquilo”: ficar no poder, trabalhar pouco, cartão corporativo, viagens, etc., etc., etc...

E por falar nisso
Deu no blog de Bela Megale: “O questionamento de Jair Bolsonaro sobre a segurança das urnas eletrônicas, mais uma vez, sem provas, não teve eco entre ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os magistrados da corte engrossam o coro de que as falas do presidente sobre a necessidade do voto impresso no Brasil não passa de uma tentativa de colar uma narrativa de dúvida sobre a eleição de 2022.
O plano de minar o processo eleitoral foi sustentado pelo presidente mesmo em relação à disputa que o elegeu democraticamente. Bolsonaro chegou a dizer que, se não fosse a ‘fraude’, teria sido eleito no primeiro turno. Depois, prometeu apresentar provas sobre as supostas irregularidades, o que nunca fez.
Se como candidato em 2018, Bolsonaro prometia colocar fim à reeleição, nos seus primeiros meses como presidente ele mostrou que estava apegado à cadeira e que já era candidato à reeleição. A maioria dos nomes apoiados pelo presidente neste ano, porém, naufragou”.

E por falar nisso (2)
As eleições de 2020 mostraram o nível do capital político do presidente e a economia, até 2022, não terá tempo hábil de se reerguer. O que ainda restará ao capitão se ele conseguir chegar até lá?

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Vacina

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, segunda-feira, dia 30 de novembro de 2020, é celebrado o ‘Dia Nacional do Evangélico’;
• Também hoje se comemora o ‘Dia da Amizade Brasil-Argentina’;
• A data também é de celebração do ‘Dia do Estatuto da Terra’ e do ‘Dia da Reforma Agrária’;
• Por fim, hoje é o ‘Dia do Teólogo’ e o ‘Dia do Síndico’.

Vacina
Os países ditos desenvolvidos já estão trabalhando na logística para que a(s) vacina(s) cheguem mais cedo aos seus patrícios. Da mesma forma, suas respectivas agências reguladores trabalham de forma célere com vistas a aprovação dos imunizantes contra a Covid-19.
E aqui no Brasil os ‘çábios’ do governo continuam a bater cabeça: há 7 milhões de ‘kits’ de testes para a Covid-19 que estão perdendo a validade num galpão perdido em Guarulhos (SP) e a ANVISA continua fazendo o que pode e o que não pode pra agradar o presidente – para quem a politização é bem mais importante que a imunização dos brasileiros.

Manicômio
Se alguém dissesse que um dia o governo brasileiro arrumaria uma encrenca com o seu maior parceiro comercial, passaria por doido. Se esse maluco dissesse que a retórica do confronto seria alimentada por teorias da conspiração, seria internado.
Os Bolsonaro acreditam que o atual embaixador da China está no Brasil para derrubar o capitão. Ele mesmo disse isso ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. Nas suas palavras, no livro “Um Paciente Chamado Brasil”, reproduzindo uma conversa que teve com o capitão em abril:
“Ele acreditava na teoria de que a China tinha inventado a pandemia, de que o embaixador chinês estava aqui para derrubá-lo e que esse mesmo embaixador havia sido o promotor dos protestos de rua em 2019 no Chile contra o presidente Sebastián Piñera, e tinha trabalhado para que o Mauricio Macri perdesse a eleição na Argentina. O embaixador chinês era um agente para desestabilizar a direita na América do Sul e promover a volta da esquerda, e ninguém tirava isso da cabeça dele. O coronavírus era parte do plano”.
Esse estado de espírito disseminou-se no entorno do Planalto e o tenente-coronel indicado para uma diretoria da Agência de Vigilância Sanitária já curtiu uma mensagem na qual um empresário chamava o governador João Doria de “China boy”.
Para complicar o quadro, o embaixador Yang Wanming é um diplomata barulhento e arrogante que subscreve notas redigidas em péssimo português.
Nota do jornalista Elio Gaspari publicada em sua coluna na Folha de São Paulo de ontem, 29.
Comentário: o governo Jair Bolsonaro é formado por amadores, a começar por Ernesto Araújo, o nosso chanceler que NUNCA chefiou uma embaixada. Mas o chefe de governo também não é lá grande coisa, donde a verborragia sem sentido, as bravatas diárias, as inúmeras mentiras, os gestos de psicopatia, a preocupação em salvar seu clã em detrimento do País e a sem-cerimônia ao quebrar tantas promessas de campanha, a começar pelo combate à corrupção.

Boa semana, leitor! Vamos trabalhar com afinco pois, para além das lagostas e vinhos do STF, temos o cartão corporativo sem limites da presidência da República para honrar, tá ok?

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Óia só procê vê...

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, quarta-feira, dia 25 de novembro de 2020, é celebrado o ‘Dia Nacional do Doador de Sangue’;
• Também hoje se comemora o ‘Dia Internacional da Não Violência Contra as Mulheres’;
Serviço: a data foi escolhida para homenagear as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), três mulheres dominicanas que ficaram conhecidas como ‘Las Mariposas’, que se opuseram à ditadura de Rafael Leónidas Trujillo, sendo assassinadas em 25 de novembro de 1960.
Trujillo foi ditador da República Dominicana por 31 anos (1930-1961) e, assim como ‘Las Mariposas’, também morreu assassinado em 30 de maio de 1961.

Óia só procê vê...
Na semana que antecedeu o domingo em que houve eleição aqui em Foz (foi dia 15 passado, né?), o signatário estranhou os cuidados com o paisagismo na região do novo viaduto na entrada da cidade e na Avenida Paraná – que dá acesso ao Colégio Anglo-Americano, um dos locais do estado do Paraná em que há mais eleitores.
E da mesma forma, o signatário percebeu uma pequena obra na esquina das ruas Capiberibe e Tietê, no Jardim Acaray (estavam fazendo a calçada ao redor de uma futura quadra de esportes - que talvez venha a ser reformada), com uma placa informando que aquela era uma obra da Prefeitura de Foz do Iguaçu, iniciada poucos dias antes da eleição. Passada a eleição, a obra parece ter parado...

E por falar em obras
Não faz NENHUM sentido o fechamento do trevo na BR-277 nas imediações do CTG Charrua. E, claro, se os munícipes não se manifestarem, as coisas por ali vão ficar como estão ‘ad eternum’. Não é nem um pouco difícil imaginar o tamanho da volta que precisa dar um morador da Vila ‘A’ e cercanias que precisa acessar, por exemplo, algum familiar que vive do outro lado da BR-277.

E por falar em obras (2)
Ultimamente muitas narrativas (criadas por gente chinfrim, que nunca viajou ao estrangeiro, que não gosta de estudo e tal) deram para falar mal dos chineses – um povo com o qual o Brasil tem muito a aprender, para além de comercializar (eles são de longe o nosso maior parceiro comercial mas, como se sabe, tem gente que finge não saber disto).
E uma das coisas que o Brasil tem a aprender com a China tem a ver com obras de infraestrutura.

E por falar em obras (3)
Lembra-se, caro leitor, quanto tempo demorou para que fosse equacionado o problema da construção do viaduto da BR-277 que cruza com a Avenida Paraná? Anos! Na China, um problema de igual monta é resolvido em questão de semanas – e seguramente eles não falam mal do Brasil. Não da forma como falamos deles, certamente.

Mas é que...
É que no Brasil parece que as obras públicas não são feitas - nos mais das vezes - para que se resolva os problemas de mobilidade urbana – que são muitos (e põe muito nisso). Parece haver objetivos que os projetos priorizam mais que as reais necessidades – haja vista eventos como o mensalão, o petrolão e as operações de nosso Ministério Público que levaram à breca empreendimentos tão sólidos como foi um dia a construtora Odebrecht.

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Precisamos de um ministério de Administração e Execução

'Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade'.
George Orwell

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, terça-feira, dia 24 de novembro de 2020, é celebrado o ‘Dia do Quadro Auxiliar de Oficiais’.

Precisamos de um ministério de Administração e Execução
Recentemente, o Ministério da Economia redigiu um Decreto Lei estabelecendo as diretrizes para 2021 até 2031. Nele apresentam mais de 300 problemas urgentes e como resolvê-los até lá.
Toda a imprensa deveria estar discutindo esses 300, mas passou batido. A maioria das soluções dos 300 tem uma única linha. Pasmem! Peço que todos vocês leiam, e não só esses meus comentários, pelo menos passem os olhos por cima. Não há argumento mais convincente para extinguirmos o Ministério de Economia, e criarmos o Ministério de Administração.
Os gênios do Ministério colocaram nada menos que 300 problemas, problemas acumulados ao longo desses 50 anos que eles estão no poder. Não há ordem de prioridade, não há sequer uma percepção que 200 problemas são causas dos outros 100 não resolvidos. Os diagnósticos são fracos e por isso as soluções de uma única linha, idem. Tipo: “Promover, em âmbito nacional e internacional, os destinos e os produtos turísticos do País, de forma a fomentar o fluxo turístico interno.” Coisa de acadêmico que não pensa nos detalhes.
Como já escrevi há 20 anos em “Precisamos Turistificar o Brasil”, como promover uma cidade que não se turistificou, criando parques, museus, atrações, e uma culinária mais refinada? O problema é mais embaixo. Pior, 300 já são muitos, mas a falta crônica de capital de giro próprio para impulsionar o crescimento nem é citada. E todo exercício acadêmico do Decreto é como aumentar nosso crescimento para 4% ao ano, em vez de 2%.
Acharam que colocar no papel 300 sugestões de uma seção de brainstorming resolve.
Artigo do consultor (e guru em administração) de empresas Stephen Kanitz [blog.kanitz.com.br].

Notícia boa
Deu no site Poder360: “O endividamento das famílias brasileiras atingiu 66,5% em outubro de 2020. Representa queda de 0,7 ponto percentual em relação a setembro (67,2%), mas alta quando considerado o mesmo mês de 2019 (64,7%). Os dados são da CNC (Confederação Nacional do Comércio). Do total de endividados, 26,1% têm dívidas ou contas em atraso e 11,9% dizem não ter condições de pagar”.
É claro que não é a melhor notícia que alguém estaria esperando. Mas é que parece ser tendência; é a segunda queda mensal consecutiva. Vamos torcer!

E por falar nisso
Agora veja, caro leitor: se por aqui a gente torce com os sinais de melhora da economia, logo ali ao lado, em Puerto Iguazu a situação chegou a pontos extremos (vide a notícia dando conta das pessoas desenterrando carne de frango descartada pelos órgãos sanitários). Meu Deus, a fome faz coisas!
Mas o governo da Argentina parece disposto a ‘dobrar a aposta’: a Câmara dos Deputados de lá acaba de aprovar projeto taxando os mais ricos (o Senado deve fazer o mesmo). A medida não é nova, como se sabe, e o resultado também. Não chores por mim, Argentina.

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Brasil, século 19

'Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade'.
George Orwell

Olá! Bom dia, leitor!
• Hoje, segunda-feira, dia 23 de novembro de 2020, é celebrado o ‘Dia do Engenheiro Eletricista’;
• Também hoje se comemora o ‘Dia Nacional de Combate ao Câncer Infanto-Juvenil’;
• A data também é de celebração do ‘Dia Mundial de Ação de Graças’.

Brasil, século 19
Você, caro leitor, é uma pessoa com tudo para ser alguém do século 21 (em romanos, XXI), que é o atual - claro. Você ao menos é um dentre os pouquíssimos brasileiros que leem. A maioria de nossos patrícios ainda está no século 19, a começar por nossa elite dirigente. Em suma, você é um cidadão do século 21 que vive num País que ainda está no século 19. Quer ver?
O jornalista Claudio Dantas nos deu uma pista que atesta a tese deste humilde signatário. Na semana que passou ele deu o diagnóstico do apagão que assola o miserável Amapá: “É autoexplicativo o apagão no Amapá, estado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que se dedica basicamente a conseguir um novo mandato inconstitucional e a eleger o irmão prefeito de Macapá. A responsabilidade, claro, precisa ser compartilhada com o governador Waldez Góes, com o diretor-geral da Aneel, André Pepitone, e com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.
O apagão é resultado de uma soma de problemas: a única ligação do estado com o Sistema Interligado Nacional (SIN) é uma subestação sucateada administrada pela subsidiária de uma empresa quebrada (Isolux) e que não é fiscalizada. E a distribuidora de energia do estado, que recebe a eletricidade da subestação e repassa aos consumidores, está sem contrato de concessão desde 2016 e cheia de dívidas”.
Se o Brasil fosse um País do século 21, o excelentíssimo senhor ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, já estaria demissionário desde a primeira semana do apagão – assim como toda a diretoria da ANEEL, afastada de suas funções, assim como diretores do Operador Nacional do Sistema, ONS, pelo um juiz federal João Bosco Costa Soares que, em sua sentença, afirmou: “Em verdade, o lamentável blecaute ocorrido no Estado-membro do Amapá é reflexo de um autêntico ‘apagão de gestão’ provocado por uma sucessão de ‘Governos Federais’ que negligenciaram quanto ao planejamento adequado de políticas públicas de produção, transmissão e distribuição de energia elétrica, deixando o sistema entregue a própria sorte e em mãos de grupos políticos e econômicos, que se unem estritamente para fins de enriquecimento ilícito, tratando o povo como ‘rebanho bovino’ e não como sujeitos de direitos, conforme preconiza a legislação brasileira (...)
É de destacar, finalmente, que essa sucessão de erros, condenáveis negligências, mostram o lado triste de uma face oculta... do Estado Brasileiro que, ao não se planejar e ao não se organizar adequadamente para o futuro, figurando demasiadamente conivente com a corrupção (promiscuidade entre interesses econômicos e políticos), está nos conduzindo ao ‘Neocolonialismo’ e não ao papel de uma grande Nação que poderíamos vir a ser”.
A ANEEL respondeu afirmando que “respeita a decisão da Justiça, mas ações como essa acabam gerando ruído e prejudicando os trabalhos em um momento em que todos os esforços deveriam estar concentrados no restabelecimento pleno do fornecimento de energia no Amapá”.
Nossa agência reguladora de energia elétrica ao menos parece ter gente que escreve bem, não é? Mas suas falas são ‘parolagens flácidas para dormitar bovinos’. Assim como suas congêneres, a ANEEL mais parece estar aí para dar empregos que para fiscalizar as empresas de sua área. A cara do atraso!

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"A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor".
'O mundo não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes'.

Roberto Campos